domingo, 12 de fevereiro de 2012

Entrevista no Camburi (II)

Seo Genésio voltando da roça, na época da entrevista



 Parte 2. “Ele, com a caneta na mão, no consultório dele, olhou bem para mim... “Repita  novamente”. Aí eu falei novamente: doutor, o que é que de manhã está de quatro; o meio-dia, representa, tá em dois, e, de tarde, na parte da tarde tá com três? Ele baixou a cabeça... teve, teve, teve. 'O senhor podia me esclarecer  que eu não divulgo, não dá para divulgar'. Não dá doutor? 'Não'. Aí eu esclareci para ele. Disse assim: doutor, na parte da manhã tá de quatro: é uma criança. Uma criança nasce do ventre da mãe, como o senhor nasceu, como também eu nasci. Tudo bem! Vai daqui, vai dali, mas... um dia a mais, um dia a menos... chega numa conta que ele começa a gatinhar com as duas mãozinhas no chão; roda pra um lado, roda pro outro, até que acha uma mesa, acha uma cadeira, levanta em pé... Até que ele começa a andar. Mas todo aquele tempo ele tá andando: tá com os dois pezinhos no chão, com as duas mãos. Tá gatinhando! Quer chamar vovô, vovó, papai, mamãe... Até numa coisa ele vai tomando conhecimento; até que começa a andar. Quando ele chega nos seus quinze, quatorze, dez anos para cima, ele tá formado. Quando chega com quatorze, quinze anos: ele tá forte. Dezoito, dezenove, vinte anos: ele tá forte. Tá lutando pra todo quanto é lado. E quando chega na parte da tarde, doutor, ele tá de três. Além dos dois pés, ele tá de cajado, tá de bengala. Então, ele tá de três porque tem que tá: são dois pés dele e a  bengala. Não tá se aguentado. Então, é a mocidade e a velhice. De manhã está de quatro, no meio-dia tá de dois e à tarde tá de três, que,  além dos dois pés, é a bengala. Ele achou interessante. Aí pegou a agenda dele  e aí pegou e marcou tudo. Aí que eu falei: pergunta pra outro depois".

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